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A meta do projeto é levar as tecnologias sociais, que são
utilizadas no Nordeste brasileiro, para outras comunidades
que enfrentam
escassez de água. (FOTO: HUGO DE LIMA)
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Tecnologias
sociais de convivência com a seca no Semiárido do Nordeste brasileiro começam a
chegar a outros países que enfrentam situação climática semelhante ao sertão
nordestino. No 'Corredor Seco', parte oriental de El Salvador, na América
Central, foram construídos um biodigestor e uma cisterna de placa de captação
de água de chuva, sob a orientação do Instituto Elo Amigo, com sede em Iguatu.
A
experiência internacional foi viabilizada por meio de um convênio entre a
Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e Organismo das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO). "Foram 12 dias de muito trabalho,
felicidade e emoção", pontuou Marcos Jacinto, coordenador do Elo Amigo e
integrante da coordenação executiva da ASA Brasil pelo Ceará. "O local é
muito parecido com o nosso Semiárido", pontua. O trabalho dos técnicos
brasileiros foi feito em Cantón San Bartolo, uma comunidade rural, localizada
em Guatajiagua, no Departamento de Morazán, Oriente de El Salvador. É uma área
que integra o Corredor Seco, região semiárida que se estende pela América
Central. A ação reuniu pedreiros, ajudantes e moradores locais.
O
objetivo é levar as tecnologias sociais, que são realizadas há anos no Nordeste
brasileiro, para outras comunidades que enfrentam escassez de água. "As
características climáticas da região são parecidas com as nossas", observa
Jacinto. "Durante o ano, há cinco meses de chuvas e sete meses de
verão", completa.
Jacinto
observa que as precipitações anuais na região chegam a superar 1.000
milímetros, mas na época da seca, as pessoas passam por sérias dificuldades,
pois não há estratégias de captação e de armazenamento de água da chuva.
O
relato dos técnicos revela que, ao apresentar a cisterna de placa e o
biodigestor, a população ficou surpresa e emocionada, pois não conhecia as
tecnologias usadas no Ceará.
"Ficaram
alegres ante a possibilidade da segurança hídrica", reafirma Jacinto. O
trabalho, segundo ele, envolveu dez pessoas, moradores e pedreiros locais, para
que pudessem aprender a construir suas próprias tecnologias. Os envolvidos,
acompanharam a execução do projeto passo a passo e ficaram capacitados para
implantação de novas unidades.
Em
El Salvador, uma caixa-d'água de 10 mil litros custa cerca de 2.200 dólares e
para construir a cisterna de placas de 16 mil litros, o custo é de 700 dólares,
uma economia de 1.500 dólares. "Essa comparação foi muito impactante, pois
eles não acreditavam que seria possível ter uma cisterna com tão pouco
recurso", explicou.
As
famílias de baixa renda sofrem no período de escassez de água e o relato de um
morador emocionou a equipe técnica brasileira ao afirmar que, no verão, as
pessoas querem lavar as mãos, escovar os dentes e não há água pelo abusivo
preço cobrado. Mil litros de água potável custam cerca de cinco dólares.
Além
de Marcos Jacinto, participaram do intercâmbio, Hugo de Lima, jornalista da
ASA, em Pernambuco; Josivan da Silva, pedreiro, do Rio Grande do Norte; e Fábio
da Silva, pedreiro e construtor de biodigestor, em Sergipe. Diário do Nordeste
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